terça-feira, 16 de julho de 2013

Um afeto virtual

Em meio às suas investigações encontra-se cada vez mais distante da chusma para poder e, com o intuito de apreender o que de verdadeiro se encontra em seus interiores, conhecê-los, ao menos numa das partes, a fundo: as relações na virtualidade do ente. Todavia depara-se com suas superficialidades intransigentes, inflexíveis e irrelevantes que exercendo grande poder de atração vem-no persuadir de suas arguições desviando-o da sua real busca. Aqui a realidade imanente infere-se aos vícios que tanto aflige e que seduz a maioria.
As interações de conduta analisadas nos últimos meses referem-se a comportamentos desordenados e irregulares com sérias perturbações ingeridas por uma série de transtornos desencadeados pelo desejo de felicidade diretamente relacionado ao prazer e que se encontra aspergido e mesclado à ideia de materialidade como fonte principal. Da qual, quase todos, tanto professam religiosamente em adoração.
Veem, assim, em certas relações sua possível redenção e quando não até salvação para livrá-los de tamanho pavor que é deparar-se com a realidade em que vivem além, é claro, de sua ascensão, pois das relações que procuram estabelecer nada pensam senão em tirar proveito. Ademais os verdadeiros sentimentos são relegados ao segundo plano pela simples carência de garantias materiais, pois o entendem, assim, como garantia de continuidade da relação e do próprio sentimento em si. Não obstante, o afeto alheio e desconhecido (geralmente relacionados à atração física e seus apetites) passa a ser visto com bons olhos frente aquele outro, incólume, que na integridade se mantém em reserva (afeto destituído, parcialmente, de atração física).
Eis, aqui, caros leitores uma das possíveis direções a que poderíamos dirigir este pequeno artigo, mas que deixarei para oportunidades vindouras. O presente restringe-se a mera citação dos fatos observados no momento da interatividade afetiva do ser e suas vicissitudes. Entendidas na relação direta e estabelecidas entre a realidade abstrata e a virtual onde a Internet torna-se um canal de mão dupla na personificação do objeto de afeto presente nas vertigens dos sentidos de uma inconsciência inconstante do Eu.
[...]


                                                                                                      (Ronan Donato)

sábado, 29 de junho de 2013

Ela

Ela surgiu tranquila e serena trazendo no peito uma tempestade. Havia me atrasado. Cousa de uns 10 minutos imperdoáveis segundo o que ouvi. Olhava-me de soslaio vez por outra enquanto eu, constrangido, tentava me explicar. Aquele olhar doía-me o peito. É que... Achei melhor não. Continuamos a andar. Íamos jantar num restaurante que havia ali perto. Tencionei fazer algumas graças até que, enfim, consegui. Ela desferiu-me um doce e terno sorriso, assim, como quem vê graça sem ver. Em verdade ria do meu jeito bobo de ser. De tal feita e aos poucos a conversa foi ganhando vida e da tempestade vi os primeiros raios de luz. Luz tênue e branda que daquele olhar emanava-se em minha direção. Ao chegar sentamo-nos numa mesa que havia próximo a um vão e de onde podíamos ver outros andares que se encontravam abaixo. Enquanto nós jantávamos discutíamos sobre política, religião, experiências vividas... Versávamos sobre o tempo e as coisas... Quase tudo em nossos espaços. Desde que chegara sentia-me absorto nalgumas ideias. Ali tudo parecia flutuar... E eu tão somente vivia na tentativa de olhar um futuro belo e distante. Ledo engano, ora. Do futuro eu nada vi senão incertezas quase certas. E na incerteza das certezas é que me encontro. Nela é que quero acreditar. Em ti eu acredito. Após o jantar encaminhamo-nos para a saída. Ainda conversamos um pouco, mas não tínhamos mais tempo e precisávamos ir. Ao partir ela ainda me disse: 
— Não fique triste. Isso não acaba aqui e nós outro dia nos veremos. Desde então não vejo a hora dela voltar... 


                                                                                                      (Ronan Donato)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Caro Pasquim

Já não sei o que fazer ou dizer se é que eu tenha feito ou dito algo que tenha soado insensato para poder me restituir... Tão somente tenho, cada vez menos, certeza do que vejo. E, desta forma, não sei dizer se sou eu que incorro em erro ou se são os derredores que assim o fazem de modo inconsciente.
A verdade é uma só e é nela que permanecerei. Submetendo-me em prol dela aos mais diversos sacrifícios que me são e serão imputados. Jamais excluirei da razão o controle de toda a ação e, principalmente, sobre vis desejos. Preservando-me, assim, em total temperança.
Não obstante, se quisesse analisar a situação segundo o viés analítico que a psicologia exige anseio que não o poderia fazê-lo devido à falta de maiores contatos e observações em escala, ou seja, devido à falta de uma real participação ou compartilhamento de vida. Restando-me somente o amparo das suposições e ilustradas por uma imaginação pouco fantasiosa que no caso já não são tão seguras, pois estão desprovidas de total compatibilidade com a realidade e destituídas de qualquer racionalidade. Um caso particular, de fato.
E desta natureza ao assistir da trama vou-me exasperando... Nada vejo além de ciclos viciosos. Oposições de sentimentos descabidos e insignificantes frente à grandeza do saber. Razão, esta, constantemente silenciada em proporção nacional, sim, falo de gnoseofobia massificada. E nesta loucura é que vive boa parte dos homens — Poupe-me dos seus fricotes, caro Pasquim.

                                                                                                      (Ronan Donato)

quarta-feira, 13 de março de 2013

'Roupa não define moral', Será?


Todas as nossas atitudes, sejam elas comportamentais ou psicológicas refletem na nossa maneira de ver o mundo ou o quão somos influenciados por ele. Poder até não definir moral, mas nos mostra, dependendo da roupa, o quão 'exibicionista' (pode ser entendido como livre arbítrio ou livre escolha) uma pessoa pode ser se é que assim podemos classificar. Uma mulher dotada de certos princípios, eu presumo, não deseja tal exposição, sendo ela, pois consciente de sua beleza ou poder de atração mostrar ao mundo seus 'dotes'. Óbvio, também, é que as mulheres tem por natureza a arte da conquista, digo, fazendo-nos correr de um lado a outro nesta disputa para ver qual macho leva a melhor. Ou seja, aquele que foi escolhido por ela é que lhe garantirá uma prole forte e saudável (instinto biológico).  Eis um dos espectros da vida. Perpetuação da espécie. Voltemos à roupa... Não há a necessidade de se usar micro shorts, minissaias e etc., atendendo assim ao apelo da mídia e da população masculina que de um modo geral as incita. Perceba que sou moralista. Não estou proibindo o seu uso. Todavia, acredito que uma mulher que se preze não necessita (precisa) 'exibir-se'. E de nada adianta ter um belo corpo, pois sabemos que na natureza tudo passa, flui... Um corpo é apenas um corpo (para boa parte dos homens isso já diz muito e até para algumas mulheres). É preciso inteligência por parte das mulheres tanto nas escolhas (roupas que usam), como no modo de vida que levam. Precisam de mais virtudes... Roupas também são textos e que nos dizem muitas coisas.

                                                                                                      (Ronan Donato)

segunda-feira, 11 de março de 2013

Segunda cinza


Como é triste amanhecer e não te ver
Um lugar vazio sempre me pego a olhar
Imaginando estar errado, não pode ser!
Mas sim, naqueles dias não pude lhe encontrar

Encontrar o olhar que me alucina ao ver
O sorriso que busco paciente a esperar
Segunda cinza como pode assim fazer
Sem o meu sol, meu ar, como posso continuar?

O coração já não reage, bate por bater
Perguntando-me quando voltará a acelerar
O sangue pulsa, mas não como dantes a ferver
Só me resta as lembranças para o alimentar

Mas a esperança não tardou a me dizer
E quem sabe ao anoitecer ali te encontrar
Esperança foi assim que tinha que ser
Adormecido, inerte, naquele mundo te achar!

                                                                                                      (Ronan Donato)

terça-feira, 5 de março de 2013

Dias fugidios

Nos dias fugidios houve tempo de dor
Havia em mim um vazio desigual e disforme
Neles eram trevas e desolação de alma inquieta
Pois distante estava o meu Ser das essências

E neles tentava voltar os olhos sem força
Tardes os dias aqueles em que deixei passar
Claras noites em conjecturas inacabadas
Vendo-a sempre ao longe a transitar entre as gentes

Em minhas memórias...
É inacabado o findar e das dores ressurge o pó
Pois o Senhor trouxe-me novamente à paz
De nos teus puros dias passar, repassar, ser e morar

                                                                                                      (Ronan Donato)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Meu 'Eu' no outro


Todas as nossas ações será que partem da premissa de que deve haver uma reciprocidade? Isso acontece ao menos na maioria das vezes. Sabemos todos que nossas escolhas partem de um desejo, seja ele consciente ou não, mas será que elas poderiam satisfazer-se por si mesmas sem que haja aí a necessidade de vê-las refletida no outro ‘Eu’, interiorizado e projetado por mim? Pense...
Seria correto pensar que ao nos relacionarmos com o ‘outro’ estamos realizando apenas trocas? Se sim, as nossas relações estão reduzidas a isso. Mas, muitos são os tipos de troca que poderíamos fazer e, aqui, irei me restringir a apenas uma delas... Que é a troca de ‘poder’ pelo ‘poder’. Mas de que tipo de ‘poder’ estamos falando? Há diversos tipos de ‘poder’, contudo irei me basear em apenas alguns deles e que estão subentendidos na relação de troca e não no ‘poder’ em si, pois são muitos os tipos. Vejamos um exemplo:
O meu ‘ir ver’ surge da necessidade de ‘deixar-se ver’ pelo outro e assim ‘ser visto’, buscando desta forma o reconhecimento do ‘meu poder’ no outro ‘Eu’.
Enquanto que ‘aquele’ que é diferente de mim ao ‘deixar-se ver’ pelo seu outro, desperta neste instante um ‘poder já tido’, que é reforçado pelo seu ‘ver’ o outro ‘Eu’, deixando-se ‘ser visto’, acumulando aí mais ‘poder’, suponho, afinal com tantos olhares em derredor seria difícil não tê-los. (risos)
Todavia, o que podemos observar no exemplo acima é que o simples desejo de ‘deixar-se ver’ pelo outro reforça em nossa consciência uma noção de existência e nos dá a ideia de certo ‘poder’ frente à ‘aquele’ que é diferente de mim. E sendo assim o que buscamos na verdade é apenas sermos reconhecidos pelo outro ‘Eu’ (amado, talvez). E isso é o que nos torna ‘alguém’ especial. Estamos, pois constantemente nos projetando no outro para assim suprirmos este vazio existencial e nele nos reconhecermos.
Freud explica...

                                                                                                      (Ronan Donato)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Uma flor...


Neste fim de mês as coisas vão de mal a pior. Fui pilhado por uma angústia estarrecedora que me abateu. Há exatos sete dias afastei-me do trabalho para me recuperar destes males que me perseguem há algum tempo e que parece não querer se findar. Neste meio tempo, para não ficar sem ter o que fazer, dirigi-me até a livraria da esquina e comprei alguns livros. Aproveitaria, assim, estes momentos para dedicar-me a leitura que há muito não fazia. Punha-me a ler Dostoiévski. No início lia-o febrilmente, de tal modo que, nem sequer almoçava. Perdia-me completamente na leitura.
Entretanto, decorrido certo tempo, a leitura foi se tornando um pouco exaustiva. Estava lendo demais. Resolvi parar. Dar um tempo. Sim, precisava de um tempo. Fui até a Internet à procura de algo que me fizesse relaxar. De início, visitei as páginas de relacionamento, na qual costumo, nas horas vagas, escrever. Lia alguns recados atrasados e respondia outros, mas nada ali me agradava. Eram sempre as mesmas conversas. Não havia nada inovador. Aliás, enquanto vasculhava meus e-mails ouvia algumas músicas do Arnaldo Antunes — na minha época fazia grande sucesso junto a Caetano, Chico, Vinicius e outros.
Saí da Internet. Fui tomar um banho para esfriar a cabeça. Ao sair o interfone tocou. Era o porteiro me avisando que Fernanda chegara e me aguardava. Mandei logo subir. Fernanda era amiga de infância... Tínhamos um caso. Lembro-me que vivíamos fazendo traquinagens na casa de uma tia dela, que há tempos não via. Sentia muito sua falta.
— Olá, Fernanda — disse ao abrir a porta — entre.
Entrou sem nada dizer, como sempre. Sentou-se em uma das poltronas que havia próximo a janela e que ficava ao lado da que costumo sentar.
— Ricardo — foi dizendo ela — eu não aguento mais ficar longe de ti.  Tu disseste que precisava de uma semana para se recuperar e já se passaram duas.
Aquela angústia que não passava tinha nos afastado. Não respondi. Esperei para ver o que ela ia dizer. E como sempre, continuou.
— Minha mãe perguntou por ti. Disse-me que estava com saudades.
Perguntei se queria água. Não quis. Fui à cozinha, coloquei água em um copo e retornei.
— Sabe Ricardo às vezes sinto falta de quando éramos crianças. Naquela época tu gostavas de verdade de mim. Hoje não é a mesma coisa.
Não era verdade. Adorava-a mais que tudo. Certa vez até briguei com um rapaz que havia assobiado para ela. Vinha logo atrás e ele não tinha percebido. Não deu outra. Mas no final ele aprendera a lição. Onde já se viu mexer com mulher na rua.
Sabia também que ela falara aquilo só para me provocar. Gostava de me ver nervoso. Dizia que ficava mais bonito.
— Fernanda, tu sabes que não é assim.
Estava com a blusa que lhe dera no dia de seu aniversário. Adorava vê-la com aquela blusa. Seus cabelos compridos caiam sobre seu busto avantajado e davam-lhe uma maior autonomia.
— Tu sempre dizes a mesma coisa, Ricardo. Quero uma prova.
— Uma prova? — Ela estava insegura — Como assim?
— Se tu gostas mesmo de mim, vai ter que provar.
— O que tu queres que eu faça criatura?
Não sabia em que pensar. Provar para ela que a amava? Será que todos esses anos juntos não eram suficientes para provar?
 — Terás que citar algum poema para mim, agora!
Ela adorava ver-me recitando poemas... Lembro-me de que quando começamos a ter um caso, fazia questão de ler um poema em cada encontro. O pior é que não vinha nenhum em mente, naquele instante. E foi quando ela disse:
— Quero ouvir aquele da flor... Aquele que tu disseste no nosso primeiro encontro.
Confesso que essa não era uma tarefa fácil, mas não foi preciso muito e ao dar por mim já estava recitando:

Tua pele é neve
De perfume singelo
E nos teus brancos espero
Vislumbrar a flor mais bonita

Em tuas canduras tão alvas
Anseio morar meu eterno viver
Tu és minha flor branca rara
É nos teus seios que quero morrer...

Fernanda fitou-me com atenção por alguns instantes e de repente rompeu-se em prantos até então acreditara que eu não iria me lembrar. Levantou-se e veio em minha direção. Sentou-se no meu colo e disse:
— Tu és o mesmo de ontem — deu-me um beijo e levantando-se foi em direção à saída. Antes de fechar a porta, completou —: Amanhã eu volto.
Ao fechar a porta ainda escutei seus passos, afastava-se lentamente. Ia embalada como da primeira vez. Eu, cá fiquei sem saber o que pensar. Amava-a!

                                                                      (Don Ruan Das Vilas Boas)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Não tinhas outrora...


Quantas vezes não tencionei encontrar
Indo deveras ao lar, a morada da Deusa?!
Agora, porventura... Procuro.
Vejo-te, em liberdade e te busco.
E me negas o prazer de só vê-la
Liberdade... Tive-a sempre ao peito
O que tu não tinhas outrora...

                                                                                                   (Ronan Donato)

Assassinato de um amor


Haviam conversado e tudo terminara bem, mas Renata precisava sair. Paulo consentiu e ficaria a sua espera. Renata iria ao shopping, mas já voltaria. No caminho de volta, porém, Renata encontrou Fernanda.  Conversa vai, conversa vem e Fernanda convida Renata para ir a uma igreja que havia ali de frente, conhecida como Sara Nossa Vida. Convite que logo foi aceito.
Enquanto isso Paulo continuava a sua espera sem saber que Renata havia saído com uma amiga — Renata esqueceu-se de avisar — E Paulo começou a imaginar uma infinidade de coisas e algumas muito terríveis. Onde será que Renata estaria...  Perguntava-se Paulo a todo instante.
Renata ao voltar da igreja estava tão cansada que resolveu ir direto para casa e lá chegando pegou logo no sono. No dia seguinte, lembrou-se que Paulo ficara lhe esperando. Arrumou-se rapidamente e foi em seu encontro, morava a poucos quarteirões dali. Lá chegando, encontrou Paulo em meio à sala sentado ao sofá com uma arma nas mãos e sem dar chances para que Renata se explicasse alvejou-a ali mesmo na entrada , à queima roupa, com um tiro no peito.
Pouco antes de morrer Renata ainda indagou:
— Por que tu fizeste isso, meu amor? — Com uma voz moribunda.
— Não te disse que esperarias?! Hã? Onde fostes? Tens um amante, não tens?  Hein?! Vamos, diga logo, eu sei que tens um amante! — Paulo havia passado a noite em claro a sua espera, como prometera — Você sabe que sou impaciente!
E as últimas palavras que Renata conseguira balbuciar foram:
— Meu amor, eu n... — E deu seu último suspiro.
Paulo então viu o grande erro que acabara de cometer e percebeu que ela sempre o amou. Era ele, sim, ele que nunca confiara, realmente, em Renata. E perdeu assim seu grande amor. 

                                                                                   (Don Ruan Das Vilas Boas)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Não!


Andei sozinho e vislumbrei-me diante da paisagem.
Não tive medo, arrisquei-me, acreditei que era verdade.
Mas na vida tudo é assim. Vivo nela por viver...
Quisera eu fosse brincadeira aquele abraço da menina.
A esperança passageira fez do meu sonho uma neblina
E eu resisto... Forte e implacável ao tempo firmo
Minha promessa de seguir em frente sem impurezas
E acredito... Não me aflijo em meio aos erros importantes
O tempo... Já não era como dantes, houvera visto.
O importante transformou-se em vil cegueira, haja vista!
E diante da incerteza inconstante aquele amor pudera
Que não tivesse um só real sentido. Em meio ao peito combalido
Não me tivera, mas só fingistes brincar comigo em sua leveza.
Amei por pouco instante aquela fada, ah quem me dera!
Amei-te e tu fizeste de meu sonho brincadeira sussurrante
Era ela, sim, aí quem me dera, fosse visto o mais importante,
Refleti-me no espelho, outra vez, e vi-me moribundo relutante.
O tempo! Lembro-me de outrora, em que feitiços exalavas...
Perdi-me. Ao voltar haviam levado aquela a quem amara.
Seria ele, pois o verdadeiro redentor? Sim, pois dessa já não sou eleito.
Coragem foi meu escrever diante do abismo que me separa ao vão.
Pensastes a infinidade de alegrias? Não, levastes o desejo da ironia a cabo.
Ah! Que saudades dos tempos das primícias, nos teus sabores...
Perder-me-ia... Em suas delícias nas purezas da beleza os dessabores
Inefável, tu caminhavas como as fadas, mas não quisestes, e logo foi.
Foi-se corromper em vis desejos... Não obstante, procurei, tentei achar
O que jamais quisera não perder, quando nunca tive ao ter estando ao lado.
Vaga, agora no obscuro, alma (in)feliz, diante da certeza relutante do Não!

                                                                                                      (Ronan Donato)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A coerção das redes


Modernizações coercitivas que visam à regressão intelectual de seus membros nas redes sociais estão sendo implementadas sem que haja nestes meios as vozes contrárias, até aqui, inexistentes e tão aguardadas. Onde as regras ditas por um pequeno grupo globalista tornam-se fatos concretos e a chusma diante do novo fantasia-se e dá gargalhadas. E diante do perene irrefutável sinto-me obrigado a parar e me contradizer... Canso-me diante do vazio da futura geração que se acredita mais esclarecida que a anterior quando, na verdade, apenas vislumbram no próprio bojo o palpável, o consumível e o prazeroso. É que no fundo nada veem além de si enquanto aguardam pelo elixir da felicidade de uma ciência vindoura.  

                                                                                                      (Ronan Donato)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Voltes pra mim



Bem...  Vê-la triste não quero.
Em paciente espero.
Tristeza não gera alegria!
Espero-te como o Sol do outro dia.
Paciente meu Sol espero por ti.
Se tu queres andar, passear...
Podes ir tome um ar!
Mas não te percas nos bosques
Não te afastes de mim
Porque eu espero que voltes
Voltes correndo pra mim!

                                                                                                   (Ronan Donato)

sábado, 5 de janeiro de 2013

Canção para meu Sol


Meu Sol
E meu Mar
Tu és a Beleza
Fonte de Inspiração
Tu és minha Paixão

Princesa... Princesa

Tu és a Melodia
A fonte de Alegria
Destas Letras... Letras
A fonte de água Viva
Que me trará a Vida

Com certeza... Princesa!

                                                                                                  (Ronan Donato)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Meu rio


Eu rira-me em só desgraça...
Mas ele ter-se-ia rido por menos
Então rio... Nos teus risos rio!
Vejo-me a sós e rio desta chaga...
Sem teus raios já não rio, saiba.
Que sem teu riso há só pranto
Eles riram... E riem. Se eu rio?
Amor... Eu ria. Eu rio sem saber...
Vagueio. E rir-me-ia no mar...
No mar de teus risos.
— Sorrio!
E rindo meu rio deságua em ti.

                                                                                                   (Ronan Donato)



Presente


Não só te quero
Porque assim eu quero
E de querer só quero
Quero-te e quero-quero
Pronto, te quero!
Querer-me-ia... Assim só te quero
— Verbo?! Quero-te...
Sempre no presente!

                                                                                                   (Ronan Donato)