Já não sei o que fazer ou dizer
se é que eu tenha feito ou dito algo que tenha soado insensato para poder me
restituir... Tão somente tenho, cada vez menos, certeza do que vejo. E, desta
forma, não sei dizer se sou eu que incorro em erro ou se são os derredores que
assim o fazem de modo inconsciente.
A verdade é uma só e é nela que
permanecerei. Submetendo-me em prol dela aos mais diversos sacrifícios que me
são e serão imputados. Jamais excluirei da razão o controle de toda a ação e,
principalmente, sobre vis desejos. Preservando-me, assim, em total temperança.
Não obstante, se quisesse
analisar a situação segundo o viés analítico que a psicologia exige anseio que
não o poderia fazê-lo devido à falta de maiores contatos e observações em
escala, ou seja, devido à falta de uma real participação ou compartilhamento de
vida. Restando-me somente o amparo das suposições e ilustradas por uma
imaginação pouco fantasiosa que no caso já não são tão seguras, pois estão
desprovidas de total compatibilidade com a realidade e destituídas de qualquer
racionalidade. Um caso particular, de fato.
E desta natureza ao assistir da
trama vou-me exasperando... Nada vejo além de ciclos viciosos. Oposições de
sentimentos descabidos e insignificantes frente à grandeza do saber. Razão,
esta, constantemente silenciada em proporção nacional, sim, falo de gnoseofobia
massificada. E nesta loucura é que vive boa parte dos homens — Poupe-me dos
seus fricotes, caro Pasquim.
(Ronan Donato)