Costumava frequêntar assiduamente a casa daquela família. Família de grande estima. Ali pude vivenciar as mais diversas experiências. Quando os conheci, há aproximadamente quatro anos, não imaginei que fosse durar tanto tempo. De início fui seduzido, e entreguei-me de corpo e alma a uma grande, mas rápida, paixão.
Tão arrebatadora. Tão atraente que me causou grande consternação. Era uma nova sensação. Estava enamorado por uma rapariga. Tinha sua beleza. Eu, ainda jovem, custei a acreditar. De repente havia sido transportado. Transformara todas aquelas histórias romanescas, das leituras diárias, em realidade. Não tive tempo para pensar. Naquele instante queria viver uma história de amor. Todavia, como toda paixão é cíclica, a minha não poderia ser diferente. Sei que falo de mais desta tal paixão, mas não poderia relegar este episódio por nada. Dali em diante minha vida tomaria rumos nunca dantes imaginados. A tal paixão passou e, claro, deixou algumas cicatrizes, mas, as boas lembranças continuam vivas. Enfim, acho que dei o seu merecido destaque. Continuemos. Visitava-os todos os fins de semana. Não perdia um. Gostava de estar ali, ao lado todos. Sentia-me como eles naquela humilde residência. Normal. Sem pensar em nada. Imerso em uma grande família (literalmente). Da qual nunca tive. Também não posso esquecer o pequeno que ali se encontra. Adorado por todos. Via-o crescer. Tinha-o como meu, sem ter. Travesso e levado como toda criança. Sempre cheio de energia. Sempre disposto a brincar. O cansaço para ele não existia.
Já faz alguns meses que não os vejo. Será que eles sentem a minha falta? Torna-se cada vez mais complicado encontrar uma resposta. Até o momento não recebi sequer um “Oi” ou “Estamos com saudade”. Nada. Parece que fui esquecido. Deixei de existir. Não é carência, muito pelo contrário.
O problema consiste em ser esquecido. Não ser lembrado. Logo, não sou querido. Que amigos são esses que não se lembram dos amigos? Este é o problema. Também não sei por que deixei de visitá-los. Devia estar ficando um pouco cansado. Tudo estava tornado-se tão monótono... Queria discutir, trocar ideias... Estava só. Preciso pensar... Refletir sobre minha conduta. E no por que de estar aqui. O que estou fazendo e por que assim faço. Entender este mundo não é nada fácil. Conviver com as pessoas, estabelecer vínculos... Como sou visto por essas pessoas? Chega! Não encontrarei assim nenhuma resposta. (Estou a vaguear)
Desculpem-me por tudo que não fiz. Só tento ser normal. E se já sou nunca irei saber.
A uma família de grande apreço.
(Ronan Donato)