segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Uma Família

Costumava frequêntar assiduamente a casa daquela família. Família de grande estima. Ali pude vivenciar as mais diversas experiências. Quando os conheci, há aproximadamente quatro anos, não imaginei que fosse durar tanto tempo. De início fui seduzido, e entreguei-me de corpo e alma a uma grande, mas rápida, paixão.
Tão arrebatadora. Tão atraente que me causou grande consternação. Era uma nova sensação. Estava enamorado por uma rapariga. Tinha sua beleza. Eu, ainda jovem, custei a acreditar. De repente havia sido transportado. Transformara todas aquelas histórias romanescas, das leituras diárias, em realidade. Não tive tempo para pensar. Naquele instante queria viver uma história de amor. Todavia, como toda paixão é cíclica, a minha não poderia ser diferente. Sei que falo de mais desta tal paixão, mas não poderia relegar este episódio por nada. Dali em diante minha vida tomaria rumos nunca dantes imaginados. A tal paixão passou e, claro, deixou algumas cicatrizes, mas, as boas lembranças continuam vivas. Enfim, acho que dei o seu merecido destaque. Continuemos. Visitava-os todos os fins de semana. Não perdia um. Gostava de estar ali, ao lado todos. Sentia-me como eles naquela humilde residência. Normal. Sem pensar em nada. Imerso em uma grande família (literalmente). Da qual nunca tive. Também não posso esquecer o pequeno que ali se encontra. Adorado por todos. Via-o crescer. Tinha-o como meu, sem ter. Travesso e levado como toda criança. Sempre cheio de energia. Sempre disposto a brincar. O cansaço para ele não existia.
Já faz alguns meses que não os vejo. Será que eles sentem a minha falta? Torna-se cada vez mais complicado encontrar uma resposta. Até o momento não recebi sequer um “Oi” ou “Estamos com saudade”. Nada. Parece que fui esquecido. Deixei de existir. Não é carência, muito pelo contrário.
O problema consiste em ser esquecido. Não ser lembrado. Logo, não sou querido. Que amigos são esses que não se lembram dos amigos? Este é o problema. Também não sei por que deixei de visitá-los. Devia estar ficando um pouco cansado. Tudo estava tornado-se tão monótono... Queria discutir, trocar ideias... Estava só. Preciso pensar... Refletir sobre minha conduta. E no por que de estar aqui. O que estou fazendo e por que assim faço. Entender este mundo não é nada fácil. Conviver com as pessoas, estabelecer vínculos... Como sou visto por essas pessoas? Chega! Não encontrarei assim nenhuma resposta. (Estou a vaguear)
Desculpem-me por tudo que não fiz. Só tento ser normal. E se já sou nunca irei saber.
A uma família de grande apreço.

                                                                                                      (Ronan Donato)

3 comentários:

  1. Interessante sua crônica. Já que me pediu um comentário crítico, vou dividi-lo em duas partes: desvios técnicos e produção literária.
    A primeira é mais simples, mas claro que de pouca relevância em relação à segunda. Você desliza em alguns aspectos, como o "porquê" separado, quando na verdade refere-se a um substantivo: "(...)E no por que de estar aqui(...)", segundo a norma culta, deveria ser: "E no porquê de estar aqui". Além disso, você usa muitos períodos em trechos que poderiam ser mais homogêneos, ou seja, com menos fragmentos frasais – a menos que seja intencional. Um exemplo do que digo: "(...)Também não posso esquecer o pequeno que ali se encontra. Adorado por todos. Via-o crescer. Tinha-o como meu, sem ter. Travesso e levado como toda criança. Sempre cheio de energia. Sempre disposto a brincar(...)", talvez pudesse ser escrito assim: "Também não posso esquecer o pequeno que ali se encontra, adorado por todos. Via-o crescer, tinha-o como meu, sem ter. Travesso e levado como toda criança, sempre cheio de energia e sempre disposto a brincar". Mas claro que isso depende da sua maneira de escrever, do seu estilo; é só uma dica para não deixar a leitura pausada demais. O restante está bem escrito gramaticalmente ou pelo menos não percebi nenhum errinho.
    A segunda parte é literária. Minha opinião é que você abordou um tema muito interessante. Escrever sobre as relações humanas é sempre um desafio, mas também é uma mina de produção riquíssima em termos de literatura. Só gostaria de que tivesse aprofundado um pouco em algum ponto, pois você me pareceu suscitar ideias de maneira superficial, sem detalhes. Certo que talvez seu texto fosse propositalmente curto, porém, nesse caso, seria bom que tivesse mais algumas ideias e não apresentado outras. Enfim, apenas uma percepção que tive.
    De qualquer forma, adorei a condução e a estrutura do texto, bem encadeados. Pergunto: foi experiência pessoal, criação espontânea ou um misto das duas?
    Valeu, até! E espero que não se ofenda por nada do que eu disse, pois quis apenas ajudá-lo e também não sou a voz da verdade. Falou e continue escrevendo.

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  2. Imagina. Jamais me ofenderia. Muito bem concatenadas as suas observações.
    Fazendo um estudo mais apurado pude perceber, sim, que no trecho “E no por que de estar aqui” o “por que” separado está errado. O “por que”, junção da preposição por + pronome interrogativo ou indefinido tem significado de “por qual razão” ou “por qual motivo”. O ‘porquê’ é substantivo e tem significado de “ o motivo”, “a razão”. Sendo “E no porquê de estar aqui” (motivo). E não “E no por que de estar aqui” (por qual motivo).
    Quanto aos períodos, são intencionais. Pensei em ter escrito algo a mais, mas achei melhor não alterar a estrutura inicial. Assim o concebi e não quis acrescentar nem retirar palavras, temendo perder algo. Todavia, o senhor sentiu falta de algo. Irei prestar mais atenção.
    O texto foi baseado em algumas experiências pessoais.
    Agradeço à atenção despendida.

    P.S. Fiquei maravilhado ao ler o seu poema Louco Transeunte.
    Muito reflexivo, estás de parabéns. O mesmo digo, aqui, meu amigo, continue escrevendo que estarei lendo.

    (Ronan Donato)

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  3. Então vamos escrever! Na verdade, eu vou escrever um pouco menos, por enquanto, é claro. Muitas preocupações =] Mas valeu!

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