quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Certamente, Mi Flor!

Lembrar-se-á, certamente,
Que outrora vos fui o autor
De mil louvores, suspiros d'amor?!

Tu mo despediste em quietude vileza
Oh! Luna, quede mimada travessa?!
Fugistes pra brilhar noutro céu!

Embora outrora te tinha mui rica
Desfez-te da graça, querida, per torpe galã?!
Eia o porvir, verrá na infâmia dos cobres!

Eu, Apolo, fui-te de mor esperar prudente!
Mas gran coita o subjugaste; vendestes etéreo amor?!
O que outrora a cantara, em versos, Mi Flor! 
(Ronan Donato)
                                                                       


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Paradoxos da Vaidade e Estultice

DOS HOMENS 

I

Muitas são as filhas dos homens
Em que preço há, e, tantas
Quanto o homem pode achar.
Que importam os números 
Pergunto aos  nobres aos honrados,
São incontáveis as perdidas ao acaso.
Mas como nada que se fizeram, afirmamos:
Filhas da Rebelião são as tais, as desviadas,
Afastam-se das veredas da vida! Insensatas!

II

Raça de Víboras! Destroem as virgens de Sião!
Vai-se mais uma Flor por entre os campos de pedras.
Perde-se mais uma Flor pelos cuidados do mundo,
Impelida pelas matas da corrupção e selvageria humanas!

Quanto a vós, ó amantes da luxúria,
Escravos da matéria, observamos-vos, sim, e
Que o chicote de tal jugo nunca cesse, nem vos deixem descansar,
Pois o Senhor dar-lhes-á o fim a que tanto almejam!
E cada homem provará de sua própria perversidade...

III

Entretanto, aos menos, que desfrutem e gozem da vida, pois no Seol não haverá lembranças. Mas saibam: tudo quanto fizerdes virá a Juízo. Malgrado, para que serve a carne?

IV

O que para vós vos parecerá, acertadamente, loucura, chamar-se-á naquele Dia "certeza da vida". Onde veem paranoia e loucura, ó sapientíssimos, afirmamos contemplar a Verdade e Justiça porvir.

V
Maldito o homem que fui, pois o impaciente faz doidices, ao compartilhar sentimentos tão nobres com aqueles que tiveram seus corações endurecidos e que, penso, ainda não foram exercitados na prática do amor. Pensei, na ocasião, ver nas unidades um elo. Ledo engano. Nalguns houve, se muito, compaixão, noutros egoísmo tacanho e barato. Todavia, a boca fala daquilo de que o coração está cheio, assim faço. Julgaram-me répobro naquele momento. Julgo-me, talvez, deveras religioso e eis que , em verdade, faço-o com certa desenvoltura.

DA ALMA

I

O homem solteiro procura agradar a Cristo, e anseia pelas coisas de Deus; mas os que desejam casamento têm sua confiança no homem, dão preponderância às coisas do mundo. Todavia, se casar não peca.

II

O paciente tornou-se prudente, logo, fez-se amigo da sabedoria. Sim, inclinado a sê-lo, pela graça de Deus. Nisto gloriar-me-ei! Os sentidos só nos entorpecem... Causando-nos, assim, o pior dos males: a doce ilusão do frenesi.

III

Reconhecer-se no antever:
É perder-se em meio ao êxtase
E do cárcere corpóreo ver...
O inatingível mais tangível do universo.

IV

Minha alma encontra-se infinitamente distante do meu corpo. Entre ambos há um abismo intransponível... No meu corpo ela está presa! Não obstante, uso-o como mero instrumento e nele encontro apenas morada passageira. Como eu sei disso, tu me perguntarás, então te direi: eu vi. Alegrar-me-ia se pudesses ver o mesmo, mas temo. Na muita sabedoria há enfado, mas ela preserva a vida daquele que a possui. Quem senão o Grande e Excelso criador dos céus e da terra mostrar-nos-á tamanha maravilha? Quem que nos livrará do poço de lama e miséria em que nós nos encontramos? A Ti, Senhor meu, e Deus meu, é que renderemos graças diante dos homens, obras de tuas mãos. Bem-diremos e exaltaremos o teu santo nome diante de toda assembleia. Toda honra e glórias sejam dadas somente a Ti, Senhor. Amém.

V

Se muito soubéssemos pouco é que diríamos.


(Ronan Donato)