quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Não!


Andei sozinho e vislumbrei-me diante da paisagem.
Não tive medo, arrisquei-me, acreditei que era verdade.
Mas na vida tudo é assim. Vivo nela por viver...
Quisera eu fosse brincadeira aquele abraço da menina.
A esperança passageira fez do meu sonho uma neblina
E eu resisto... Forte e implacável ao tempo firmo
Minha promessa de seguir em frente sem impurezas
E acredito... Não me aflijo em meio aos erros importantes
O tempo... Já não era como dantes, houvera visto.
O importante transformou-se em vil cegueira, haja vista!
E diante da incerteza inconstante aquele amor pudera
Que não tivesse um só real sentido. Em meio ao peito combalido
Não me tivera, mas só fingistes brincar comigo em sua leveza.
Amei por pouco instante aquela fada, ah quem me dera!
Amei-te e tu fizeste de meu sonho brincadeira sussurrante
Era ela, sim, aí quem me dera, fosse visto o mais importante,
Refleti-me no espelho, outra vez, e vi-me moribundo relutante.
O tempo! Lembro-me de outrora, em que feitiços exalavas...
Perdi-me. Ao voltar haviam levado aquela a quem amara.
Seria ele, pois o verdadeiro redentor? Sim, pois dessa já não sou eleito.
Coragem foi meu escrever diante do abismo que me separa ao vão.
Pensastes a infinidade de alegrias? Não, levastes o desejo da ironia a cabo.
Ah! Que saudades dos tempos das primícias, nos teus sabores...
Perder-me-ia... Em suas delícias nas purezas da beleza os dessabores
Inefável, tu caminhavas como as fadas, mas não quisestes, e logo foi.
Foi-se corromper em vis desejos... Não obstante, procurei, tentei achar
O que jamais quisera não perder, quando nunca tive ao ter estando ao lado.
Vaga, agora no obscuro, alma (in)feliz, diante da certeza relutante do Não!

                                                                                                      (Ronan Donato)

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