De repente sumi. Não dei
explicação alguma e menos ainda um ‘tchau, volto logo’. Não o faço por querer,
digo, com frieza calculada. Eis que o Isolamento se faz presente e eu apenas o
convido a uma caminhada. Ele costuma aparecer quando me deparo com situações
que, a meu ver, são muito complexas e dignas de tantas reflexões quanto forem
possíveis, mas que para boa parte das pessoas são triviais. Ele aparece quando
observo que uma parcela considerável da sociedade vive relativamente ‘bem’
diante da vida sem ao menos se questionarem sobre o que estão fazendo e por que
assim o fazem. Ele surge quando não encontro o aclamado ‘prazer’ naquilo que
para a maioria é muito prazeroso e/ou até mesmo engraçado. Sou avesso a
comemorações. E ele vem quando me sinto frustrado. Quando me deparo com certas
restrições impostas pela Vida.
— Sem falar no Orgulho este não
sede um centímetro sequer a Humildade.
E é muitas vezes na companhia do
Isolamento que me sinto seguro e protegido. Tento não me corromper e me escondo,
mas às vezes falho. Tento não ver tudo ao meu redor com tanta simplicidade.
Tento ser uma eterna criança. Com um olhar atento a tudo que vê. Poucos são os
que assim enxergam a realidade. E um dia, talvez, filósofo.
— Ando a procura da felicidade.
Só me falta o mapa. (risos)
Todavia ao mesmo tempo em que a
realidade é tão deslumbrante e maravilhosa é também o contrário, causando-nos
um enorme terror e uma profunda inquietação. O que havemos de comemorar diante
da incerteza do que é a Vida? Doce Vida... Temo ser mal compreendido e não ser
aceito por aqueles que tanto anseio seria o meu fim.
(Ronan Donato)
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